that’s okay :)

Entradas do Janeiro 2008

Reflexões

Janeiro 27, 2008 · Deixe um comentário

Sabe, quando eu não tenho nada pra fazer (o que não tem sido muito difícil de acontecer desde que estou passando o resto das minhas férias confinada em Manaus sem poder ver nenhum amigo já que a maioria dos 5 ou 6 que eu ainda tenho está viajando – é, foi uma frase grande e sem vírgulas, mas foi necessária) eu acabo assim, deitada na minha cama, escrevendo ou tentando esboçar algum desenho que eu juro que daqui a alguns anos vai servir de inspiração pra alguém e acabar impedindo um suicídio ou algo do tipo, e ouvindo Alicia Keys – Soul Music é o que há. É, eu estou nessa agora.

E eu descobri que as letras da Kate Nash e Sheryl Crow também podem ser bem interessantes e, por que não, inspiradoras. E já que é madrugada (meus momentos mais produtivos do dia, infelismente), quando eu desenhar alguma coisa útil eu posto aqui. :)

Categorias: Diário

Nota.

Janeiro 25, 2008 · Deixe um comentário

Sheryl Crow e Rubem Braga. Se ele fosse 45 anos mais novo (e ainda estivesse vivo) e eles se encontrassem, com certeza, rolaria alguma coisa. ♥

Categorias: Pensamentos

Hê :B

Janeiro 17, 2008 · Deixe um comentário

Uma alegria súbita me veio nesses dias que meu Deus, nem sei como explicar sem parecer, sei lá, uma criança de oito anos numa manhã de Natal. Só sei que nem tem dado tempo de escrever direito, e agora eu rio à toa, faço piadinha das minhas próprias misérias e de todo o resto em voz alta, passo mais tempo conversando e agindo como um ser social, assisto Naruto, Avatar e Galera do Surf com a minha irmã de vez em quando, bato altos papos com a minha mãe, oro antes de dormir, percebi o quanto a minha vida é boa e o que eu posso fazer pra ela melhorar, resolvi dar mais atenção aos estudos, e hey, agora eu também brinco com bebês, passeio pelo Shopping, corro pelos parques e canto canções alegres pelas ruas.

Ta, a parte de correr pelos parques não é exatamente verdade, já que Manaus não tem parques descentes, e a parte das canções também não, lógico. As palavras “Jéssica” e “canta” só ficam juntas numa frase quando tem um não no meio. He :B

E um grande achado que eu fiz recentemente (mentira, faz um tempão) é que quando se está assim é meio difícil parar pra escrever, então ta explicado por que eu tenho uns quatro textos no Word pra terminar, e mais uns três no meu caderno que eu ainda nem digitei. Mas sabe que uma boa parte de mim prefere isso assim?

Então se eu não der sinal de vida por alguns dias, saibam que eu não morri: só estou vivendo a minha vida. E amanhã é aniversário do meu pai, só pra registrar.

Categorias: Diário

Sorvete de morango

Janeiro 3, 2008 · Deixe um comentário

Se eu te contasse que a minha avó faz o melhor sorvete de morango do mundo você não ia acreditar. Eu, pessoalmente, acho que se não fosse assim ninguém passava a madrugada tomando a infinidade de sabores de sorvete que ela tem a habilidade única de fazer – e tem o maior prazer do mundo em fazer só pros seus netos.

Por “infinidade” leia-se “três sabores: morango, coco e abacaxi”.  E por “única” leia-se “nem tão única”, já que logicamente outras pessoas têm que fazer o sorvete vendido nas sorveterias – ou será que eles já foram substituídos por máquinas?

Categorias: Diário

Senhorita Independente

Janeiro 2, 2008 · 1 Comentário

“Miss independent / Miss self sufficient / Miss ‘keep your distance’ / Miss unafraid / Miss ‘out of my way’ / Miss don’t let a man interfere, no / Miss on her own / Miss almost grown / Miss never let a man help her off her throne. So, by keepin her heart protected, she’d never ever feel rejected. Little miss apprehensive said uuuh,

…She fell in love.” 

               Opa, auto-biografia? Não não. Só a Kelly Clarkson musicando mais uma parte da minha vida.

Categorias: Diário · Músicas

Cruzamento

Janeiro 2, 2008 · Deixe um comentário

               “Vou para o dentista, duas da tarde, meu carro corta com esforço a geléia modorrenta em que o ar se transformou esses dias. Um casal de adolescentes começa a atravessar a rua, de mãos dadas, à minha frente. Eles dão uma olhada para o meu carro, de leve, calculando. A garota faz menção de apressar o passo, o garoto a dissuade com um olhar de esguelha e, talvez, um discretíssimo aperto na mão. Eles seguem seu ritmo, lento, rumo a outra calçada.
                 Se nenhum de nós mudarmos nossas velocidades, acabarei por atropelá-los. É evidente que eles sabem disso, como é evidente que isso não acontecerá, pois eu venho devagar e basta pisar de leve no freio e pronto, saímos todos, são e salvos, eu para o dentista e eles para a casa dos pais de um deles, onde se deitarão numa cama de solteiro, embaixo de uma parede cheia de fotos e posteres e frases de canetinha hidrocor tipo Ju-eu-te-amo-amiga!, e descobrirão que a vida é boa. Este pequeno acontecimento me atinge em algum calo das minhas neuroses urbanas. Irrito-me porque eles fingiram que a velocidade deles estava certa, mas sabem que, se não morreram atropelados, é porque eu diminuí o ritmo. Mais ainda, talvez, porque o garoto passou para a menina a idéia, naquele olhar fugaz, de que com ele ela estava segura, de que era só confiar e tudo daria certo, eles chegariam ao outro lado da rua, depois ao outro lado do mundo, se quisessem, e seriam felizes para sempre. Mas foi o tiosão aqui quem tornou a travessia possível.
               Percebo então que quem atravessou a rua à minha frente não foi um casal de adolescentes, foi a adolescência em si. E quem freou o carro não fui eu, mas a idade adulta. Pois é assim que a adolescência lida com o mundo. Não capitula: arrisca, peita. “Imagina, se eu mudo meu ritmo, o mundo é que se acostume a ele!”, e porque os adolescentes têm um anjo protetor dos mais poderosos, ou, pelo menos, uma sorte do tamanho de um bonde, acontece de chegarem, quase sempre, sãos e salvos do outro lado da rua.
               Já a idade adulta pondera, põe o pé no freio quando convém, faz concessões ao mundo, dirige afinado com a sinfonia dos outros, dentro dessa outra geléia modorrenta cujo nome, hoje, soa tão adolescente: sistema. E por isso me irrito, porque ali, naquela rua, diminuindo meu ritmo, me percebo velho, adequado, apascentado. Eles vão no ritmo deles, a realidade que se vire e é assim, distraídos, que mudam o mundo.”

*              

               Crônica escrita pelo (permita-me dizer) gênio Antônio Prata, retirada do seu blog, www.blogdoantonioprata.blogspot.com e publicado no Guia do Estadão. Gente, eu me apaixonei pelas crônicas desse cara.

[Gif de coraçãozinho brilhando histericamente] ;)

Categorias: Leituras