that’s okay :)

Pelo menos eu tenho imaginação.

Dezembro 28, 2007 · Deixe um comentário

Uma coisa interessante sobre a casa da minha avó é o tom meio assustador que ela pode ter durante a noite. Não sei se é porque a minha família só pode viajar pra cá nessa época chuvosa de final de ano, em que o vento sopra tudo que possa ser soprado e que faça sons estranhos ao ser soprado justamente quando eu estou sozinha, ou porque a casa fica bem, digamos, afastada da “civilização”. E eu não sei se você sabe, mas quando se cresce ouvindo historinhas de seres noturnos e criaturas sinistras que atacam pessoas em áreas mais afastadas ou pessoas que desaparecem do nada, bem, qualquer coisa que tenha mato demais ao redor acaba te assustando. Principalmente durante a noite.

É nessas horas que eu queria não ter uma imaginação fértil. E, olha, mais uma ironia do destino: sabe quando você está totalmente sem inspiração e quer porque quer que chovam idéias sob a sua cabeça antes que você entre em depressão e morra sem ter seu trabalho reconhecido? Nesses momentos a minha grande imaginação me deixa na mão. Se depender dela, o auge da minha carreira será aos trinta anos, quando eu ainda estiver morando na casa dos meus pais e escrevendo pra alguma seção de uma revista para rejeitados socialmente. Por algum motivo, esse é o meu grande medo. Talvez porque essa seja uma das minhas muitas interpretações visuais de fracasso… (sem ofensa às pessoas de trinta anos que ainda moram na casa dos pais). ;)

Eu preferiria mil vezes estar aqui, batendo violentamente a minha cabeça na parede, tentando achar as palavras pra alguma crônica ou algum texto que fosse, ao invés de estar – eu confesso – com tanto medo a ponto de vir escrever um texto sobre isso e outras mil coisas que a minha imaginação fértil formulou enquanto eu ia fazer um lanchinho às três da manhã na cozinha.

Dormir também seria uma boa opção, se não fosse pelo fato de, por algum motivo, nas férias eu só conseguir dormir depois das quatro horas da manhã. Até lá eu só ficaria me remexendo na cama, virando de um lado pro outro, tentando dormir. No máximo eu me levantaria, pegaria o meu mp4 e ouviria as baladas românticas do Timbaland até ele descarregar; e quando descarregasse, eu iria reclamar pra mim mesma da dor de ouvido que os fones me deram até que eu mesma mentalmente me mandasse calar a boca.

Ou pior, ficaria relembrando mil histórias do meu quase-romance desse ano. Tudo bem, eu sei que é bonitinho ver as meninas das novelas fazendo isso e rindo sozinhas totalmente iludidas e esperançosas, mas acredite, na realidade não é tão legal assim, principalmente quando você quer muito, mas tem quase certeza (e Deus e mundo te disseram) que não vai dar certo por n razões – tipo os seus pais. Mas você gosta, e você quer. Aí é um pulo pra passar noites a fio pensando em como esse romancinho poderia desenrolar. Isso porque eu ainda nem comecei a falar na saudade e nas longas ligações de interurbano e os planos para a volta. Como eu disse, a minha imaginação só se mostra realmente fértil quando ela não deveria.

Mas, cá entre nós, nada tão fofo quanto ouvir aquele “Oi, sou eu, só queria saber como você está… To com saudade”. Oowww, ah ele do meu lado…

Categorias: Diário

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