that’s okay :)

Entradas do Dezembro 2007

Quesito “pontualidade”

Dezembro 29, 2007 · Deixe um comentário

Eu estou tentando, sério, prometo que estou tentando. Mas escrever (meio que) regularmente não é tão fácil quanto parece. É tanta coisa pra contar, detalhes, diálogos, pensamentos, observações e conclusões (que por sinal eu sempre acabo esquecendo) que eu estou pensando seriamente em andar com um gravador… Tipo o que a minha irmã ganhou num sorteio no natal.

Não vou nem perder o meu tempo dizendo o quanto isso facilitaria a minha vida. Só pelo fato de poder gravar as minhas idéias antes que eu as esqueça já vale o mico de andar por aí batendo papo com um gravador do tamanho de uma banana. Isso, é claro, considerando que eu não encontre nenhum conhecido pelo caminho. Porque senão seria triste.

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Pelo menos eu tenho imaginação.

Dezembro 28, 2007 · Deixe um comentário

Uma coisa interessante sobre a casa da minha avó é o tom meio assustador que ela pode ter durante a noite. Não sei se é porque a minha família só pode viajar pra cá nessa época chuvosa de final de ano, em que o vento sopra tudo que possa ser soprado e que faça sons estranhos ao ser soprado justamente quando eu estou sozinha, ou porque a casa fica bem, digamos, afastada da “civilização”. E eu não sei se você sabe, mas quando se cresce ouvindo historinhas de seres noturnos e criaturas sinistras que atacam pessoas em áreas mais afastadas ou pessoas que desaparecem do nada, bem, qualquer coisa que tenha mato demais ao redor acaba te assustando. Principalmente durante a noite.

É nessas horas que eu queria não ter uma imaginação fértil. E, olha, mais uma ironia do destino: sabe quando você está totalmente sem inspiração e quer porque quer que chovam idéias sob a sua cabeça antes que você entre em depressão e morra sem ter seu trabalho reconhecido? Nesses momentos a minha grande imaginação me deixa na mão. Se depender dela, o auge da minha carreira será aos trinta anos, quando eu ainda estiver morando na casa dos meus pais e escrevendo pra alguma seção de uma revista para rejeitados socialmente. Por algum motivo, esse é o meu grande medo. Talvez porque essa seja uma das minhas muitas interpretações visuais de fracasso… (sem ofensa às pessoas de trinta anos que ainda moram na casa dos pais). ;)

Eu preferiria mil vezes estar aqui, batendo violentamente a minha cabeça na parede, tentando achar as palavras pra alguma crônica ou algum texto que fosse, ao invés de estar – eu confesso – com tanto medo a ponto de vir escrever um texto sobre isso e outras mil coisas que a minha imaginação fértil formulou enquanto eu ia fazer um lanchinho às três da manhã na cozinha.

Dormir também seria uma boa opção, se não fosse pelo fato de, por algum motivo, nas férias eu só conseguir dormir depois das quatro horas da manhã. Até lá eu só ficaria me remexendo na cama, virando de um lado pro outro, tentando dormir. No máximo eu me levantaria, pegaria o meu mp4 e ouviria as baladas românticas do Timbaland até ele descarregar; e quando descarregasse, eu iria reclamar pra mim mesma da dor de ouvido que os fones me deram até que eu mesma mentalmente me mandasse calar a boca.

Ou pior, ficaria relembrando mil histórias do meu quase-romance desse ano. Tudo bem, eu sei que é bonitinho ver as meninas das novelas fazendo isso e rindo sozinhas totalmente iludidas e esperançosas, mas acredite, na realidade não é tão legal assim, principalmente quando você quer muito, mas tem quase certeza (e Deus e mundo te disseram) que não vai dar certo por n razões – tipo os seus pais. Mas você gosta, e você quer. Aí é um pulo pra passar noites a fio pensando em como esse romancinho poderia desenrolar. Isso porque eu ainda nem comecei a falar na saudade e nas longas ligações de interurbano e os planos para a volta. Como eu disse, a minha imaginação só se mostra realmente fértil quando ela não deveria.

Mas, cá entre nós, nada tão fofo quanto ouvir aquele “Oi, sou eu, só queria saber como você está… To com saudade”. Oowww, ah ele do meu lado…

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Sobre dias de calor.

Dezembro 27, 2007 · Deixe um comentário

Numa quinta-feira muito quente de verão em Araruama:

- Olha, tem sombra ali! Todo mundo pro outro lado da rua!

- Tu é mó queima-filme.

- Queimo o filme mas não queimo a pele, querida.

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Conversas de carro apertado.

Dezembro 23, 2007 · Deixe um comentário

Sabe quando você está na casa de praia dos seus avós, em pleno verão, no Rio de Janeiro, sem fazer absolutamente nada, e alguém tem a brilhante idéia:

- Por que a gente não vai à sorveteria?

Aí o seu primo mais velho pega as chaves do carro do seu tio e entra aquela primarada toda no carro…? Acho que nem preciso dizer que foi exatamente isso que aconteceu hoje comigo.

Como se não fossem suficientes as 6 pessoas no carro, ele parou na casa do meu outro tio para chamar mais 3 primos que estavam lá. E eles aceitaram, claro – com esses quase 40 graus a serem levados em consideração é difícil alguém, em sã consciência, recusar  uma chamada pra sorveteria. Mesmo que em um carro só.

Pois é. Com duas pessoas no carona, quatro no banco de trás com mais duas no colo, alguém tem que falar merda no caminho. Nem que seja algo do tipo:

“- Vocês já viram três elefantes num fusca?

Silêncio; em alguns momentos, a ignorância é uma benção.

- Hein? Hein?

- Não né! Vai dizer que você já viu.

- Eu não, mas meus amigos me disseram.

- Uhum.

- Não, sério, existe! É que um tava dirigindo e os outros dois tavam no carona.

- Haha, idiota.

- Mas eu acho que, na verdade, tinha um elefante dirigindo e uma elefanta grávida parindo no banco de trás. Daí com o filhotinho são três. Sacou? Sacou?

- Haha, cala a boca…”

Agora, depois dessa, só me resta te perguntar o que me perguntaram hoje à tarde:

               – Você já viu passarinho parir no ar?

*

Juro que em alguns momentos essas conversas de carro apertado me pareceram piores do que conversa de bêbado.

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Brigas familiares.

Dezembro 22, 2007 · Deixe um comentário

Eu realmente não acho que elas deveriam acontecer, mas confesso que quando acontecem trazem mais emoção para toda a casa.

Meu coração está batendo rápido, acho que deve ser medo por causa do que eu acabei de fazer: bati de frente com a minha avó – pra defender a minha mãe. Ironia do destino.

Nesse momento ela está falando pelos cotovelos – só pra variar – e ainda está reclamando. Reclamando da minha mãe. Disse que gosta dela, mas que não suporta mais.

Acho que saco cheio dessa história estou eu.

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Uma década, já!

Dezembro 19, 2007 · Deixe um comentário

Eu já ouvi de tudo. Mas entre esse monte de balela que o povo adora falar, me disseram algumas coisas no mínimo marcantes. Como que mesmo os amigos de infância se separam com a distância, e com o tempo se esquecem. Disseram que só vinte anos depois, quando eles se reencontram numa fila de supermercado, vem aquela sensação estranha, uma mistura de dor e alegria… Alegria por estar revendo uma parte importante da sua vida; dor por estar vivendo a prova de que ela já passou. Eu nunca acreditei. Mas mesmo contra a minha vontade, confesso que hoje acredito.

No meu caso, até que eu gostaria de esbarrar com alguma amiga de infância numa fila de supermercado, mesmo que vinte anos depois, quando já estivéssemos ambas casadas e comprando fraudas pros nossos filhos, mas após algumas mudanças de cidade isso fica meio difícil. Não o casamento, digo. O reencontro.

Fica sempre faltando aquele pedaço, aquela parte que antes aquelas pessoas ocupavam. E se a gente não tomar cuidado, não tem MSN que dê jeito… As primeiras madrugadas que a gente passava conversando sobre os babados mais recentes e seriados de televisão, vão se resumindo a conversas rápidas, na correria do dia-a-dia. Você acaba se sentindo mal quando vai fazer aquele resumão do que aconteceu no seu dia pra contar para aquela pessoa e percebe que na verdade, o resumo tem que ser também sobre o mês passado e o anterior… E as ligações de interurbano que a sua mãe tanto reclamava vão ficando cada vez mais rarefeitas, no final se restringindo apenas a meia hora de conversa nos aniversários e no Natal. Nada mais de conversar deitadas no chão do quintal comendo Trakinas e olhando o céu estrelado que eu não vi mais em nenhum outro lugar…

Você vai vivendo a sua vida, uma tendência natural humana, e quando esbarra com alguém no MSN é como se você acordasse e se perguntasse onde você estava esse tempo todo. Pra aquele grupo de amigas que antes tinha o sonho de morar todas juntas num apartamento no Rio de Janeiro em frente à praia, bem, quatro já mudaram de escola, três mudaram de cidade, e uma está prestes a mudar. Mas quem está contando?

Ta bom, eu estou.

Sem mais delongas, dei essas voltas todas para conseguir explicar o que eu estava sentindo, e voltei a sentir hoje, quando lembrei que é aniversário de 16 anos de uma grande amiga, que me conhece desde que cheguei em Porto Velho, na alfabetização. Uma que eu continuo amando incondicionalmente, e que sempre foi e sempre vai ser o meu exemplo, a minha inspiração. Essa aí da história do Trakinas, que vivia na minha casa, e eu na dela – imagina a alegria que foi quando eu mudei de casa pra um condomínio em frente à casa dela em 2005.

Duas fanáticas por Everwood que passavam a aula de educação física todinha conversando sobre o que o Ephram tinha dito pra Emy, e sobre como tinha ficado o novo corte de cabelo dele na nova temporada. Mil babados, Thiagos e Gustavos à parte, aulas de vôlei à tarde de fachada só pra ficar zanzando pelo colégio, feiras de cultura vestidas de africanas, e a gente se aproveitando por ter que jogar só contra a quinta série nos jogos internos. Sem falar nas nossas andanças pelo centro pra assistir os jogos do time de vôlei das meninas e dos meninos em outros colégios, e as férias de julho do ano passado (2006 ainda é ano passado) que você passou em Manaus, lá em casa… Foi tudo tão bom! Você estava lá em todos os momentos, e mesmo longe eu sempre tive com quem contar. Era pra você que eu reclamava do antigo colégio de riquinho em que eu estudava, e foi com você que eu comemorei quando passei pro Cefet. Sabia que eu nem ia checar o gabarito naquele dia se você não falasse? Eu estava com medo. Morrendo de medo. E chequei enquanto a sua janelinha do MSN estava lá, aberta, ao lado do site com o gabarito.

Histórias não nos faltam, mesmo que elas estejam se tornando menos esporádicas agora, e o importante é que eu as guardo muito bem na memória.

 

É isso aí Ari, feliz aniversário. Dezesseis anos já, mal dá pra acreditar! Como a gente ta ficando velha hein!

Hoje eu te mandei uma mensagem de cinco páginas pelo celular, apaguei alguns caracteres pra não chegar a seis… Algumas coisas a gente simplesmente não consegue resumir! Logo depois eu tentei te ligar, mas com a correria pros preparativos da festa a minha mãe e as minhas tias acabaram me arrastando pra umas vinte lojas pra escolher os convites… Mas eu ainda vou te ligar, e a gente ainda vai ter muito mais do que meia-hora pra sentir essa tal mistura de dor e alegria e rir muito de tudo que a gente passou, perto ou longe! A última coisa que eu quero nesse mundo é perder contato com você e tudo que a sua amizade significa pra mim. Afinal, já é quase uma década de amizade, e disso a gente não abre mão por nada!

Boa sorte na cidade nova ( São José dos Campos é uma ótima cidade, por sinal, que a sua amiga preocupada aqui pesquisou, ta? ;) ), e mais uma vez, feliz aniversário. Pode contar comigo sempre que precisar.

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