that’s okay :)

Entradas do Julho 2007

Valente Menina

Julho 31, 2007 · Deixe um comentário

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“DEBRUÇADO cá em cima, no 13.° andar, fiquei olhando a porta do edifício à espera de que surgisse o seu vulto lá embaixo. Eu a levara até o elevador, ao mesmo tempo aflito para que ela partisse e triste com a sua partida. Nossa conversa fora amarga. Quando lhe abri a porta do elevador esbocei um gesto de carinho na despedida, mas, como eu previra, ela resistiu. Pela abertura da porta vi sua cabeça de perfil, séria, descer, sumir.

Agora sentia necessidade de vê-la sair do edifício, mas o elevador deve ter parado no caminho, porque demorou um pouco a surgir seu vulto rápido. Desceu a escada fez uma pequena volta para evitar uma poça de água, caminhou até a esquina, atravessou a rua. Vi-a ainda um instante andando pela calçada da transversal, diante do café; e desapareceu, sem olhar para trás.

‘Valente menina!’ — foi o que murmurei ao acaso lembrando um verso antigo de Vinicius de Moraes; e no mesmo instante me lembrei também de uma frase ocasional de Pablo Neruda, num domingo em que fui visitá-lo em sua casa de Isla Negra, no Chile. ‘Que valientes son las chilenas!’ dissera ele, apontando uma mulher de maiô que entrava no mar ali em frente, na manhã nublada; e explicara que estivera andando pela praia e apenas molhara os pés na espuma: a água estava gelada, de cortar.

‘Valente menina!’ Lá embaixo, na rua, era tocante seu pequeno vulto, reduzido pela projeção vertical. Iria com os olhos úmidos ou sentiria apenas a alma vazia? ‘Valente menina!’ Como a chilena que enfrentava o mar, em Isla Negra, ela também enfrentava sua solidão. E eu ficava com a minha, parado, burro, triste, vendo-a partir por minha culpa.

Deitei-me na rede, sentindo dor de cabeça e um certo desgosto por mim mesmo. Eu poderia ser pai dessa moça — e me pergunto o que sentiria, como pai, se soubesse de uma aventura sua, como essa, com um homem de minha idade. Tolice! Os pais nunca sabem nada, e quando sabem não compreendem; estão perto e longe demais para entender. Ele, esse pai de quem ela falava tanto, não acreditaria se a visse entrar pela primeira vez em minha casa, como entrou, com sua bolsa a tiracolo, o passo leve e o riso nervoso. ‘Como você pensava que eu fosse?’ Lembro-me de que fiquei olhando, meio divertido, meio assustado, aquela mocetona loura e ágil que só falava me olhando nos olhos, e me fez as confissões mais íntimas e graves entremeadas de mentiras pueris — sempre me olhando nos olhos. Disse-me que a metade das coisas que me contara pelo telefone era pura invenção — e logo inventou outras. Senti que suas mentiras eram um jeito enviesado que ela tinha de se contar, um meio de dar um pouco de lógica às suas verdades confusas.

A ternura e o tremor de seu duro corpo juvenil, seu riso, a insolência alegre com que invadiu minha casa e minha vida, e suas previsíveis crises de pranto — tudo me perturbou um pouco, mas reagi. Terei sido grosseiro ou mesquinho, terei deixado sua pequena alma trêmula mais pobre e mais só?Faço-me estas perguntas, e ao mesmo tempo me sinto ridículo em fazê-las. Essa moça tem a vida pela frente, e um dia se lembrará de nossa história como de uma anedota engraçada de sua própria vida, e talvez a conte a outro homem olhando-o nos olhos, passando a mão pelos seus cabelos, às vezes rindo — e talvez ele suspeite de que seja tudo mentira. ”

*

Texto extraído do livro “A Traição das Elegantes”, Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 209. Destaquei algumas partes que me chamaram atenção.

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A melhor semana.

Julho 30, 2007 · Deixe um comentário

Ultimamente eu tenho me preocupado menos com a felicidade a busca por ela. Deixei isso um pouquinho de lado e comecei a pensar no que tenho feito da minha vida. Às vezes é bom fazer alguns planos, se imaginar realizando sonhos sem se preocupar com mudanças de cidade ou fatores semelhantes… aproveitar o momento. Cheguei a algumas conclusões interessantes. E, sabe aquela minha antiga teoria de que não pensar nas conseqüências traz boas conseqüências? Pois é, é a mais pura verdade.

Desde a volta às aulas tenho pensado mais nos meus estudos, meus modos, nos meus amigos… Tenho pensado em como o meu comportamento estava afetando as pessoas ao meu redor e até a mim mesma. Talvez por achar que certas coisas já estavam garantidas, me preocupei menos em me dedicar a elas, em renová-las diariamente para que elas continuassem assim, agradáveis. Só para registrar, me refiro tanto a amizades quanto a estudos, a assumir responsabilidades antigas e coisas do tipo. Mas principalmente a amizades. E investir um pouquinho mais nisso tudo vale sim a pena.

*

Durante essa semana tive momentos muito bons, risadas altas, crises de riso no colégio, no cursinho, em casa. Sorrisos sinceros, sorrisos carinhosos, sorrisos que expressam cuidado, sorrisos tímidos; esboços de sorrisos. E toda essa chuva de sorrisos contrabalanceou os choros, que foram só um na semana toda, por sinal.

Comer empadas e esfirras no centro com as amigas e um amigo, enganar o porteiro, pagar multas de 8 reais na biblioteca por um livro infantil que você esqueceu de entregar nas férias, inventar gírias novas, rir das velhas, estudar com as amigas, bagunçar com os amigos, ver eles cantando e encenando hip hop quando a campa toca igualzinho ao início da música do Akon, ouvir piadas de pintinho sem bumbum, contar piadas de tapioca, colocar milhões de florzinhas vermelhas na cabeça do seu amigo e tirar fotos juntos, fazer chifrinho nele e ser reconhecida pela brancura da sua mão, botar todo mundo pra passar protetor solar antes de ir pro sol, escrever com canetinhas de glitter, sentar em quarteto até ser chamada atenção na aula de química, almoçar com os amigos, almoçar em casa de vez em quando, estudar deitada na cama, conversar no telefone com velhos amigos… Descobri que todas essas coisas juntas podem te proporcionar uma das mehores semanas da sua vida, mesmo que o colégio ainda ande meio quieto demais, devido à volta às aulas e a todo mundo ter finalmente percebido que precisa estudar.

Fazer cursinho com o seu melhor amigo do lado e dar apelidos engraçados pra ele durante a aula (paulleti, ei paulei, pintinho molhado…) e aprender a jogar UNO no grêmio também contribuem bastante pra alegrar a sua semana. Sem falar em jogar Ratatouille no palystation2 com a sua irmã, ir ao Bobs do nada com a sua mãe e comprar Pretzels no shopping na volta… Ir até o aeroporto fazer uma viagem num avião Hércules-anfíbio (aqueeeles aviões que pousam na água 8D) de graça num sábado sem aula de inglês, conhecer um piloto estrangeiro e um menino de 16 anos que concluiu o curso de aviação e já vai tirar licença de piloto privado, tirar milhões de fotos no avião, subir no avião e depois ter que adiar o vôo devido a algum problema no motor…Rir da sua mãe porque ela queimou o doce de abóbora, saber de todos os rolos do CINDACTA 4 porque o seu pai trabalha lá e a sua mãe conhece as outras esposas de coronéis da vila, ganhar um perfume novo, acordar de madrugada com a chuva e trovões que você nunca esperaria ouvir em Manaus… Jantar pizza assistindo aos jogos em casa e depois tomar todo o sorvete todo em três dias… Isso tudo foi simplesmente perfeito. Gostei até de passar o dia estudando, o que tenho feito desde quinta-feira. Finalmente estou entendendo mesmo os assuntos e me importando de verdade com os estudos. Minhas amizades voltaram com tudo e meu relacionamento com a família também está muito bom.

 

Depois disso tudo sabe o que eu percebi?

Que se a minha semana vai ser boa ou não, só depende de mim. O importante é saber equilibrar as coisas, ser racional, mas nem tanto.

Categorias: Diário

Saudade

Julho 30, 2007 · Deixe um comentário

Saudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,

mas o amado já…

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Saudade é amar um passado que ainda não passou,

é recusar um presente que nos machuca,

é não ver o futuro que nos convida…

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Saudade é sentir que existe o que não existe mais…

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Saudade é o inferno dos que perderam,

é a dor dos que ficaram para trás,

é o gosto de morte na boca dos que continuam…

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Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:

aquela que nunca amou.

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E esse é o maior dos sofrimentos:

não ter por quem sentir saudades,

passar pela vida e não viver.

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O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

- Pablo Neruda

Categorias: Diário · Poesias

let the music start a revolution

Julho 18, 2007 · Deixe um comentário

Hey sister, go sister, soul sister, flow sister 8D

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Beautiful Day

Julho 15, 2007 · Deixe um comentário

Sem muita coisa para falar… Eu preciso muito fazer um intercâmbio. :/ 

Hoje teve domingão no cursinho. Teve aula das 8 horas da manhã até as 5:20 da tarde. E pior pra mim, já que eu não dormi de ontem pra hoje – passei a madrugada em claro, na internet. Mas foi legal. Os professores são demais! Já vou, antes que a minha mãe perceba que eu peguei o notebook. o_o  

U2 – Beautiful Day

O coração está uma exuberância,
floresce rápido em meio ao chão pedregoso.
Mas não tem nenhum quarto,
nenhum espaço para alugar nessa cidade.
Você está sem sorte e sem motivo que tinha para importar-se
O trânsito está parado e você não está se movendo para lugar algum.
Você pensou quer encontraria um amigo para te tirar desse lugar,
alguem a quem você poderia “dar uma mão” em troca pelo favor.
Está um lindo dia,o céu desaba
E você sente como se fosse um lindo dia.
Está um lindo dia,
Não deixe-o escapar…

Você está na estrada,mas não tem nenhum destino.
Você está na lama,no labirinto da imaginação dela.
Você ama essa cidade ainda q isso não soe verdadeiro.
Você esteve em todo lugar e estava em você todo.

Está um lindo dia,
Não deixe-o escapar
Está um lindo dia…

Toque-me,leve-me para aquele outro lugar.
Ensine-me,eu sei que não sou um caso sem esperança….

Veja o mundo em verde e azul,
Veja a china bem na sua frente.
Veja os canyons interrompidos pela nuvem,
Veja os cardumes de atum fugindo rápido do mar,
Veja os fogos beduínos à noite,
Veja os campos de petróleo à primeira luz do dia,
Veja o pássaro com uma folha na boca,
Após a enchente,todas a cores saíram…..

Estava um dia lindo,
Não deixe-o escapar,
dia lindo…

Toque-me,leve-me para aquele outro lugar.
Ensine-me,eu sei que não sou um caso sem esperança….

O que você não tem,você não precisa agora.
O que você não sabe,você pode sentir de algum modo.
O que você não tem,você não precisa agora.
Não precisa agora.

Estava um lindo dia…

Categorias: Diário · Músicas

Rock _|,,/

Julho 13, 2007 · Deixe um comentário

Ah, quase esqueci: 

 

FELIZ DIA DO ROCK :D

 

()

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Once Upon a Time…

Julho 13, 2007 · Deixe um comentário

Capítulo I. 

Ela era uma menina de cabelos compridos, magrela. Todos a chamavam de baixinha, mas ela achava alta o suficiente. Você, caro leitor, pode chamá-la de Sophia.

Ela era uma garota bonita, estava cansada de ouvir isso. Às vezes, só olhar para ela se tornava algo intrigante. Era quase inevitável se perguntar no que aquele ser silencioso estaria pensando enquanto parece (apenas parece) escutar o que as pessoas ao seu redor falam. Como será sua voz? A qual lugar sua mente a estará levando agora, nesse mesmo momento em que ela está sentada no meio de seus amigos? E será que em algum dia seria possível vê-la levantando a voz e lutando por uma opinião só dela, sem medo de cair? Até ela queria saber.

“De anjo essa menina só tem cara…” ela havia perdido a conta de quantas vezes teria ouvido isso de terceiros. Às vezes ela ficava imaginando quantas pessoas não se aproximavam dela só por pensar que ela, de alguma forma, as machucaria, trataria mal. O que suas amigas meninas – grande minoria, não me pergunte por que – pensavam dela realmente não importava, ninguém a conhecia tão bem a ponto de poder julgá-la, ou até mesmo entendê-la. E só ouvir alguém dizer que a conhecia já a irritava. Não que ela se permitisse demonstrar raiva, pelo contrário, apenas fingia não tê-lo ouvido.

(*)

Eu comecei a escrever essa historinha há uns 4 ou 5 dias, não lembro direito. Ela ainda não está terminada, e não há um fim exato para ela… Coloquei aqui apenas o primeiro capítulo, que é um dos meus preferidos (o I e o II). A historinha, até onde foi escrita, pode ser encontrada no menu aí em cima.
Espero que goste. :}

Categorias: Diário

Ver o mundo.

Julho 12, 2007 · Deixe um comentário

“I’m madly in love with you and it’s not because your brain or personality” :X 

Hoje aconteceu uma coisa diferente. Alguma coisa mudou em mim. Eu olhei as pessoas denovo; parei pra olhar. E dessa vez foi diferente. Quando olhava suas faces pude ver insegurança, temores, decepções, dúvidas. Ninguém estava mais em pedestal nenhum. As falhas se mostraram sem importância, sendo elas que diferenciam cada um, tornam-nos especiais. Somos capazes de amar pessoas diferentes, de personalidades e hábitos diferentes.

Algumas coisas simplesmente acontecem, e querer mudar tudo não vai nos levar a nada. Que tal deixar as coisas acontecerem para variar? Não tentar ser ninguém. Tentar apenas “ser”. Ser você mesma, enquanto há tempo, e juventude não lhe falta. Sorrir, nem que seja à toa, ou sem motivo. O perfeito não existe, é inalcançável. É só uma ilusão aos olhos dos fracos. Assim como o termo “normal”. Todos somos diferentes, cada um de um jeito. Sem julgar, devemos apenas viver, deixar tudo acontecer. Quando fechamos os olhos aos julgamentos, percebemos que podemos conviver com todos muito melhor, harmonicamente. Vendo todos como pessoas boas, em algum momento semelhantes a nós, se torna mais fácil compreendê-las, aceitá-las.

Enfim, é tudo uma questão de como estamos dispostos a ver o mundo, de como realmente queremos vê-lo.

E pelo menos hoje eu quero ver o mundo bem. Estou melhor assim.

 

PS.: Já vou dormir, são 5:23 da manhã e eu ainda estou na internet… Cadê o sono que não vem?

Categorias: Pensamentos

“..wake up slow”

Julho 11, 2007 · Deixe um comentário

Quarta-feira, 11 de julho de 2007.

 “When the whole world fits inside of your arms Do we really need to pay attention to the alarm? Wake up slow, wake up slow…” – Banana Pancakes, Jack Johnson. 

Vou contar-lhe sobre como acordei hoje.

Faz tempo que não escrevo algo e apenas leio, então será bom para exercitar-me.

 

Acordei de uma forma diferente hoje. Ou fui acordada, como queira. O ar-condicionado já estava desligado, mas o quarto ainda estava suficientemente frio. Eu já pude ouvir, meio incrédula, um barulho que vinha do outro lado do apartamento. Era o barulhento aspirador de pó que havia sido ligado “logo cedo”. “Oh, não, dia de faxina…” pensei. Mesmo amando os dias de faxina, não estava nem um pouquinho a fim de largar o meu precioso leito para que ele pudesse ser enfim arrumado. Eu ainda não tinha sequer uma noção de que horas eram, e como agora são férias, preferi nem saber. E continuei por mais alguns minutos esse ritual composto por ignorar os sons estranhos e continuar deitada, abraçada com a almofada ainda gelada que eu havia acabado de encontrar pela cama. Nada como um pouco de ignorância logo pela manhã.

Não demorou muito até que minha mãe, com os atualmente inseparáveis fones de ouvido, e cantando bem alto um louvor qualquer, abrisse a porta do meu quarto e ligasse o aspirador de pó na tomada. E foi aí que o barulho começou.

Mas por algum motivo – talvez por eu estar completamente, digamos, muito bem-humorada após a revigorante noite de sono – eu achei graça naquilo tudo. Ao contrário de quase todas as minhas manhãs, não acordei antecipadamente cansada ou com um leve impulso assassino. Minhas primeiras tentativas de comunicação oral nesse dia foram apenas risadas, e um grande sorriso de “bom dia” para a minha mãe que há pouco invadira meu quarto.

Quando ela desligou o aspirador e o silêncio finalmente pairou sobre o quarto, um empurrãozinho.

- Jéssica, acorda. Já são quase duas horas da tarde, minha filha.

Levantei imaginando que tipo de monstro dorme até as duas horas da tarde. Em seguida fui lavar o rosto e escovar os dentes. Feliz.

 

Enfim, com o som estranho do aspirador de pó e com a minha mãe cantando convenientemente alto, acordei bem. Enquanto ainda me revirava nos lençóis, percebi que foi algo tão diferente e de certa forma tão agradável, que eu tinha que escrever sobre isso aqui, diário.

Quem sabe algum outro dia eu acordo assim denovo.

Categorias: Diário