“O que não mata fortalece”. Há alguns dias ouvi essa frase de um amigo meu. E por incrível que pareça ele não disse isso após ter derrubado alguma bala no chão e depois tê-la colocado na boca do mesmo jeito… Não. O contexto foi bem mais complexo.
Na verdade ele se referia à maneira de levar a vida, a aprender com os erros, o que eu ando evitando há muito tempo… Por alguns dias essa frase foi o que me motivou – por assim dizer – a agir mais e pensar menos. Como você deve imaginar, não funcionou por muito tempo, e logo logo me vi sufocada pelos meus próprios pensamentos. Esmagada pelas minhas próprias palavras, que sequer chegaram a sair da minha boca. Vi-me novamente presa por essa barreira que me isola que toda e qualquer espontaneidade, de qualquer movimento não-calculado, de qualquer passo inseguro que possa, por acaso, acabar machucando alguém.
*Uma dica*
Esse alguém também me inclui.
E o pior: a responsável pela construção dessa barreira fui eu.
Logo depois de ele ter me dito isso ao telefone, numa tentativa de me passar mais segurança, lembrei-me de várias coisas que várias pessoas já me disseram. Com direito até a letra de música.
Acho que é verdade. O que não mata fortalece sim. Quero dizer, podemos tirar conclusões e aprender lições em meio aos problemas, às dificuldades. Ou melhor, principalmente em meio às dificuldades, em meio aos erros cometidos. O que me leva a outra frase também dita por ele: “A vida é um grande ‘aprender’, um período de constante aprendizagem”. O que também me leva a pensar: Meu Deus, onde eu arranjo amigos assim?
Enfim, voltando à minha crise existencial, eu entendo sim que viver é aprender, e que nós aprendemos errando. O que eu não entendo é o meu medo irracional de errar, de magoar alguém por isso. Afinal, tudo tem suas conseqüências, e as conseqüências dos nossos erros são geralmente ruins, dolorosas, que nem aprender que o fogo queima colocando a mão na boca acessa do fogão. Não estou disposta a ter que sofrer para aprender algo, ter que ganhar uma cicatriz de queimadura na mão para saber que o fogo queima. Mas isso já passou do considerado “normal”; Independente da decisão que eu tome, sempre há alguma conseqüência ruim nas letras miúdas. Talvez se eu arriscasse, eu me divertisse mais, mesmo tendo que encarar sermões, discussões e muito choro no final do dia – o que acaba acontecendo de um jeito ou de outro.
*Uma conclusão*
Estou cansada de conseqüências ruins.
*Uma pergunta*
Será que alguma vez na vida algo bom vai me acontecer simplesmente por acontecer, sem eu ter que ralar tanto para fazer disso uma conseqüência boa?
*Um medo*
De a resposta para a pergunta acima ser não.
Acho que no ano passado esse divertimento meio irresponsável valia mesmo a pena. No meu ponto de vista, antes eu não tinha nada a perder – estava num colégio que não me agradava, com pessoas que não me agradavam, e professores, diretora, coordenadora e psicóloga que também não me agradavam. Tinha graça zoar aquele colégio. Eu não tinha medo do que iam pensar de mim. Afinal, o que eu pensava deles era muito pior.
Agora não. Eu já tenho o que perder… A situação é diferente. Eu quero ser uma pessoa melhor. Pena que até agora esse “melhor” tem se manifestado claramente como “triste”, “fria”, e em muitos momentos “insegura”. E não é bem isso que eu quero. De verdade, eu quero rir bem alto, quero cantar uma música na sala de aula, quero voltar a jogar vôlei todo dia, quero correr, quero pular, quero falar a primeira besteira que vier à minha cabeça… quero tomar outro banho de chuva.
*Outra conclusão rápida*
Não pensar nas conseqüências traz conseqüências boas…
*Uma dúvida*
…ou não?
E realmente, o que não mata fortalece. Depois disso tudo, eu deveria fazer dessa frase meu lema… não é má idéia. Vou me esforçar. Percebi que tentar alcançar a felicidade à força não dá; assim como não dá tentar merecê-la se sacrificando para atingir os ideais de outra pessoa. Acho que o ideal é nem sequer buscá-la. Apenas buscar ter os melhores momentos possíveis, aqueles que vão ficar na memória para sempre, te fazendo ver que valeu a pena. Aí quem sabe, algum dia, você percebe que foi feliz, que a felicidade estava ao seu lado o tempo todo, te dando momentos inesquecíveis. Como foi no ano passado.
*PS*
A felicidade é uma coisa estranha.
2 respostas Até agora ↓
Paula // Julho 25, 2007 às 5:36 pm
Muito interessante seu texto… em alguns instantes achei que eu mesma o tivesse escrito…por conta de retratar tao bem aquilo que venho sentindo…
elis // Agosto 9, 2007 às 6:53 pm
me senti aliviada pois ja faz 1 ano que tento sair desta crise, e so agora comecei a reagir pois estava me sentindo um nada nesta vida.